"Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita umas moedas ou elogio a troco de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente no sangue o doce veneno da vaidade e acredita que, se conseguir que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de lhe dar um tecto, um prato de comida quente ao fim do dia e aquilo por que mais anseia: ver o seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente lhe sobreviverá.
Um escritor está condenado a recordar esse momento pois nessa altura já está perdido e a sua alma tem preço."
Carlos Ruiz Záfon
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«I'm freezing and loosing my way I don't need another map of your head»
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Sento-me à frente desta coisa, sem definição e sem nome, esperando que caia do céu a resposta ao que peço.
Acho que não vai chegar, é difícil que tal aconteça quando nem certa estou do que quero. Enfim...
Momentos diferentes, momentos iguais, déjà vu. Sinto saudades de algo que nem sequer chegou a ser uno e completo. Se tivesse tido apenas um pouco mais de tempo...
Oportunidades únicas deitadas fora, com um simples abanar de braço e um sobrolho franzido em desagrado. Sou tola, sempre fui. Ainda assim, não há nada nem ninguém que me tenha avisado para os perigos das decisões que tomava tão incoerentemente. Ou, então, até me avisaram, eu é que tenho dessas manias de não escutar, nunca escutar.
E agora lá vou eu, sempre em frente para lugar algum, sempre em frente, caminhando. Espero que alguém se volte – ainda que eu tenha sido quem primeiro virou as costas –, que alguém corra até mim, me agarre o ombro e me faça voltar para trás, para o que fui e o que era. Mas a ponte é só de um sentido, quando se cruza o portão da sua entrada já não há voltar atrás. E não existe pessoa no mundo, mesmo sabendo que a amo, que se atreva a percorrer a ponte comigo, para depois, juntos, tentarmos descobrir uma saída destas sombras no outro lado.
Atravesso a ponte sozinha, a estrada que a dor me ensinou. Caminho Sozinha.