Escrevo na tentativa de trair os meus pensamentos ocultos, mudar o estado que ocupo e no qual acredito. Desaparecer na noite que prolongo quando não durmo, evitando o novo dia e a necessidade de agir. Activo a minha mente sem expressar o que de bom e positivo existe em mim. Falo de mais na primeira pessoa, egoísmos aparentes e premeditados, tentativas de isolamento vão e completamente desnecessário, certo? Pois. Aconselho-me vaga e presunçosamente, que fútil pensamento no qual teimo em investir, não és real nem aparente, és apenas inexistente e sem mais explicações és “eu”. Força o momento mas não escondas mais o que insistes em não assumir, perdeste por causas tão fúteis como acreditas ser...desaparece simplesmente na forma como te conheces e não penses que...Deixa-te de consciências e moralismos, não penses mais que podes ser diferente quando morreres aqui. Melancolia estúpida e inerte. Reage sem pensar e não analises supostas consequências, pode mudar numa fracção de segundo.Tenta não lembrar do que esqueceste, mentes para evitar a consciência e não encontras a moral a seguir, sabes que dentro de ti não existe o certo só a probabilidade, vives na expectativa e escondes-te cada vez mais na tua sombra cinzenta. Isso, cola-te ao chão, solta as lágrimas como expressão sentida na tua fraqueza. Cai onde saibas que não te levantas, alimenta a tua fraqueza e usa toda a tua energia latente para ficares aí. Não grites por aquilo que perdeste porque se és tão consciente como pensas, sabes que o tempo não pára para que te recomponhas do que fazes, as lágrimas são ácidas e perdem-te segundos vitais, mas ainda acreditas. Pensa no que realmente és capaz de fazer para ficares ainda pior e sente-te mal por ti, ilude-te mas não te deixes desiludir, contraria-te até onde fores capaz e atira-te de uma vez, deixemo-nos de ameaças e pensamentos fraccionados, não tentes explicar o que sabes que nem tu entendes e não exijas a compreensão que sabes que nunca encontrarás.Dentro de mim há um mundo perdido no meu pensamento irreal...sabes que não podes dizer tudo o que sentes porque uma confissão soa-te mal, não é? Admitires que és capaz de o fazer soa-te terrivelmente mal mas podes sempre fazê-lo e, como sempre, tens consciência disso. Perdes tempo a pensar no que não tens meios de realizar porque só queres mais mas não fazes por ter tanto...suja-te de pensamentos, de mentiras e ideias irreais e continua à procura do que te faz falta sem saber o que realmente ambicionas, esse teu fim nunca vai chegar e sabes disso porque tudo o que encontrares é pouco e vão. Queres um contentamento que não é teu, nunca vais conseguir a conformação porque isso não é teu. E então? Sempre continuas ou ainda queres parar o pensamento que não controlas? Tudo o que fazes é o que és, acho melhor encontrares algo que te dê orgulho porque até agora só te tens aproximado do abismo que criaste para eventuais desastres psíquicos. Só não te esqueças que ainda tens uma venda a tapar-te os olhos e as mãos prendeste-as, continuas a contar só com o que constróis na tua mente. Fazer desaparecer o que pensas vai matar-te mas acho que vou investir no que está mais perto de mim. Sabes que em ti só existem metades, que não dás tudo o que tens para não ficares vazia porque o vazio faz-te querer a recarga para a qual já não te resta qualquer energia, sabes que a tua loucura vem do aberto e do vazio que se rasga cada vez mais, não entendes mas sabes, tu sabes como ninguém que não atinges o que não queres porque pensas que nunca te fará falta mas há algo que te atrai para esse vácuo, essa tua sede de solução instantânea faz-te perder a noção de quantos ideais já defendeste. Sabes que te contradizes e isso é uma contradição. Afoga todos os teus oximoros. Quero perder-me, quero errar e não me importar com isso, quero o que não posso, já sei e também já pensei nisso, eu sei e deixei de querer até me desencontrar novamente. Sabes que a realidade te impõe uma atitude e que renegá-la traz-te ainda mais imobilidade e o inevitável e eterno rótulo de “inconsequente”, move-te quando ninguém estiver a ver e faz de uma vez o erro que mais desejas, mas sem que ninguém veja, sem que ninguém sinta.
IRREVERENTE, INSTAVEL E ARROGANTE Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risada do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo. Tenho um sorriso confiante que as vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele. Sou inconstante e talvez imprevisível. Não gosto de rotina. Eu amo de verdade aqueles para quem eu digo isso, e me irrito de forma inexplicável quando não colocam fé nas minhas palavras. Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo. São poucas as pessoas para quem eu me explico!